quarta-feira, 26 de agosto de 2020

O “dom” do Ministério


    Neste ano de 2020, a Igreja Ev. Luterana do Brasil - IELB, está realizando o primeiro Concílio de Pastores de forma virtual de sua história. O tema é “Ministério Pastoral – Chamado e Práticas”. É uma oportunidade ímpar para toda a igreja refletir à luz da Escritura sobre este tão importante assunto.

    Atualmente a preocupação de muitas congregações e igrejas tem sido os dons pessoais do pastor, suas habilidades em gerenciar a igreja, sua oratória e habilidades de entretenimento, ou seu conhecimento nas mais diversas áreas [música, retórica, psicologia, etc]. Estes, porém, são dons da pessoa. Todos têm o seu devido valor e o seu lugar, mas são dinâmicos e variáveis de pessoa para pessoa, e, apesar de serem bênçãos de Deus, não são eles que fazem de alguém um pastor.

    No livro bíblico de Timóteo, Paulo fala que há um dom que a igreja [como um todo] recebe. Trata-se de um dom, um presente de Deus para a Igreja, chamado de Ministério Pastoral. E para qual finalidade Deus concede este dom?

    Conforme a Escritura, este dom é concedido à Igreja porque Deus estabeleceu meios pelos quais ele chama o seu povo a existência e o preserva. Estes meios são chamados de Evangelho. Dentro do Novo Testamento, Evangelho é algo dinâmico – é o poder pelo qual Deus age, transformando mortos em vivos, pessoas que não eram povo de Deus em propriedade exclusiva dele. Ou seja, a igreja é levantada e existe por causa do evangelho. Paulo declara, por exemplo, aos Tessalonicenses (cap.2), que eles são povo de Deus porque Deus os escolheu e chamou, pois o evangelho chegou a eles. Ou seja, há um povo de Deus, caminhando, porque o evangelho, que é o poder de Deus para salvar, lhes foi pregado e aplicado, e eles o receberam. Mas não o receberam de homens, mas como aquilo que o evangelho realmente é: Palavra e graça de Deus! Entretanto, entregue por um “canal” pelo qual Deus estabeleceu dar seu Evangelho – no caso, o Pastor Paulo. Este é o peculiar [próprio] do Ministério: reconciliar pessoas com Deus mediante o evangelho.

    Vê-se, portanto, que o Ministério está diretamente conectado com Jesus e sua obra, mediante o qual as pessoas são reconciliadas com Deus. Um Pastor, portanto, pode ter todos os “dons” que o povo almeja, mas somente ao receber da Igreja e executar “o dom” – pregar e levar Jesus ao coração das pessoas, fazer as pessoas olharem e confiarem e esperarem as bênçãos de Jesus, pregar lei e evangelho e entregar os sacramentos – que Deus deu à Igreja, é que o Ministério será exercitado, para salvação de todo o povo.

    Por isso, se você tem uma congregação e um Pastor no ofício do Ministério, que se dedica em cumprir este dom, louve a Deus incansavelmente. Ore pelo seu pastor. Sirva a Deus na igreja [se empenhando por ela] e em sua vida, pois Deus tem demonstrado que está a abençoar: a você, a toda a congregação e à sociedade onde a igreja está. Isto é graça pura e amor de Deus manifesto, pois se há igreja e “o dom”, Deus está declarando que deseja o perdão de nossos pecados, nosso saudável crescimento e a salvação eterna, e está a estender isto a todo o povo. Como diz Paulo em 2 Coríntios 5.18-19: “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, [pelo qual se anuncia:] que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”, o dom, o Ministério. É isso que faz o Pastor: prega o evangelho e oferece os sacramentos, “quer seja oportuno quer não”, servindo conforme o dom que Deus deu à igreja, e que ele está a desempenhar.

    Você tem um pastor? Que bênção!!! Ore a Deus que conceda muitos “dons” ao seu Pastor, para que “o dom” que Cristo deu ao seu povo floresça, para a glória do reino de Cristo e a salvação de muitos.

Rev. Cézar C. Kaiser – IELB / Erechim, agosto de 2020.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Jesus é o Senhor!


Jesus Cristo é o Senhor dos Senhores. Senhor absoluto. Ele disse: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra (Mt 28.18). A grande pergunta é: Cremos isso ainda? Levamos nossos problemas, diariamente, a Jesus em oração na certeza de que ele nos ouve e fará o que servir de melhor para nós e dos que nos cercam?
Quando Jesus diz: “Toda a autoridade me foi dada”, isto é, todo o poder, também sobre o menor vírus. Devemos nos proteger, mas a última palavra, quanto a isso, é de Jesus.
Vejam, Jesus venceu pecado, morte e Satanás e domina todas as coisas. Mesmo que, devido ao pecado, paira sobre a terra a maldição de Deus, Jesus nos libertou da maldição, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).
Mas ainda estamos na terra, e vivemos sob a cruz. Jesus disse: No mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (João 16.33). Estas aflições são devido a nossas fraqueza de fé, bem como as fraquezas de nossos irmãos na fé; também devido a inimizade do mundo a Cristo. Em tudo isso, no entanto, Jesus nos ampara, consola, fortalece, anima e nos faz olhar para a esperança, como confessamos: Creio na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna (Credo Apostólico).
Se Cristo permitir que o vírus ou outra qualquer bactéria, doença ou desastre nos atingem, quer por nossa culpa ou a culpa de outros, Jesus tem um propósito para nós. Por mais que qualquer doença nos doe, nós a recebemos com da mão de Cristo e suplicamos que ele nos alivie, quando o julgar por bem, sobre tudo, no entanto, nos conceda forças para suportá-la. Por vezes é bastante duro suportá-la. Quando, porém, ela passou, veremos que no fundo foi uma bênção para nós. E nós nos unimos aos muitos que testemunham: Toda a língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai (Fp 2.11). E: Ao único Soberano, o Rei dos reis, o Senhor dos senhores (1 Tm 6.16; Ap 19.16), seja toda a glória e louvor.
Que Deus em sua graça nos firme nesta fé, para podermos olhar assim as adversidades que nos atingem. 

São Leopoldo, 09/p7/2020
Horst R. Kuchenbecker

sábado, 25 de janeiro de 2020

Divisões - sua cura e superação

Leia em sua Bíblia: 1 Coríntios 1.10-18


Há um ditado que diz “O objetivo da discussão não deve ser a vitória, mas o progresso”.
Corinto era uma das cidades em que o apóstolo Paulo fundou uma congregação cristã. Infelizmente, parte dos membros passou a se apegar demais a seus pastores ao invés de permanecer na Palavra pregada, que anunciava Jesus. Uns diziam: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Pedro e eu de Cristo (v.12).
Claro que se deve honra e respeito aos pastores porque são ministros de Cristo, mas eles começaram a comparar dons e apoiar apenas ao seu preferido. Com isso, o evangelho, Jesus e sua Palavra, passou a ser atropelado em detrimento ao apoio a um ou outro pastor.
Quando o Apóstolo detectou o problema, ele foi direto à causa – que só poderia ser uma! Estavam tirando Cristo e sua Palavra do centro.
Por isso Paulo chama a atenção a isto e faz uma comparação: “Acaso está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado em favor de voz, ou fostes batizados em nome de Paulo?” (v.13).
Claro que um tem um dom; outro, outros dons. Um é mais forte, outro mais fraco; um é apto nisto e o outro naquilo! Mas todos devem ter seus olhos em Cristo e lutar pela sua Palavra e obra; cada qual com os dons e as forças que recebeu de Deus. Cristo é o centro, não a sabedoria humana. Cristo é a pedra, o alicerce, o bom pastor, a porta… “aquele que foi crucificado em favor de nós” e nos é salvador.
Sempre surgirão debates e decisões a tomar. O sadio é, num debate, analisarmos pontos de vistas e ideias, e, orientados pela Palavra de Cristo, decidir pelo mais coerente com ela, e seguir com o corpo, pelo bem comum. E é assim também na família de casa. Ao consentir estar debaixo da Palavra de Cristo, a começar, encontramos o perdão de Deus para nossas falhas; e o poder que une pessoas – na congregação e na família.
É o que o Apóstolo enfatiza: “Porque fomos enviados a pregar o evangelho… para que se não anule a cruz de Cristo!” (v.17), pois “…a palavra da cruz… é poder de Deus”(v.18); é poder porque é Cristo falando e fazendo; cujo poder é capaz de remover pecados… é capaz de nos capacitar a perdoar ao que pecou contra nós; é capaz de converter um erro, restabelecer o convívio e a união, e guiar para o bem comum.
Quando nossa natureza humana com seus desejos egoístas e o mau exemplo do mundo e o diabo nos trouxerem divisões, lembremos que a Palavra de Cristo é sabedoria de Deus e poder de Deus, para salvação. Apenas deixe a Palavra falar, definir as coisas, fazê-las acontecer. É poder de Deus para te perdoar, e perdoar o teu próximo através de você, e Deus te “re-unirá” aos teus familiares e irmãos. Mesmo que, no momento da crise pareça que nada está mudando… persevere e você verá.
É salutar aquele ditado inicial. Na hora da discussão, não se preocupe com a vitória, mas com o progresso. Este sempre vem quando o bom poder está presente. Poder para a salvação é a Palavra.
Rev. Cézar C. Kaiser – IELB
Erechim, janeiro de 2020.