Neste ano de 2020, a Igreja Ev. Luterana do Brasil - IELB, está realizando o primeiro Concílio de Pastores de forma virtual de sua história. O tema é “Ministério Pastoral – Chamado e Práticas”. É uma oportunidade ímpar para toda a igreja refletir à luz da Escritura sobre este tão importante assunto.
Atualmente a preocupação de muitas congregações e igrejas
tem sido os dons pessoais do pastor, suas habilidades em gerenciar a igreja,
sua oratória e habilidades de entretenimento, ou seu conhecimento nas mais diversas
áreas [música, retórica, psicologia, etc]. Estes, porém, são dons da pessoa. Todos
têm o seu devido valor e o seu lugar, mas são dinâmicos e variáveis de pessoa
para pessoa, e, apesar de serem bênçãos de Deus, não são eles que fazem de
alguém um pastor.
No livro bíblico de Timóteo, Paulo fala que há um dom que a
igreja [como um todo] recebe. Trata-se de um dom, um presente de Deus para a
Igreja, chamado de Ministério Pastoral. E para qual finalidade Deus concede
este dom?
Conforme a Escritura, este dom é concedido à Igreja porque Deus
estabeleceu meios pelos quais ele chama o seu povo a existência e o preserva.
Estes meios são chamados de Evangelho. Dentro do Novo Testamento, Evangelho é
algo dinâmico – é o poder pelo qual Deus age, transformando mortos em vivos, pessoas
que não eram povo de Deus em propriedade exclusiva dele. Ou seja, a igreja é
levantada e existe por causa do evangelho. Paulo declara, por exemplo, aos Tessalonicenses
(cap.2), que eles são povo de Deus porque Deus os escolheu e chamou, pois o
evangelho chegou a eles. Ou seja, há um povo de Deus, caminhando, porque o evangelho,
que é o poder de Deus para salvar, lhes foi pregado e aplicado, e eles o
receberam. Mas não o receberam de homens, mas como aquilo que o evangelho
realmente é: Palavra e graça de Deus! Entretanto, entregue por um “canal” pelo
qual Deus estabeleceu dar seu Evangelho – no caso, o Pastor Paulo. Este é o
peculiar [próprio] do Ministério: reconciliar pessoas com Deus mediante o
evangelho.
Vê-se, portanto, que o Ministério está diretamente conectado
com Jesus e sua obra, mediante o qual as pessoas são reconciliadas com Deus. Um
Pastor, portanto, pode ter todos os “dons” que o povo almeja, mas somente ao receber
da Igreja e executar “o dom” – pregar e levar Jesus ao coração das pessoas, fazer
as pessoas olharem e confiarem e esperarem as bênçãos de Jesus, pregar lei e
evangelho e entregar os sacramentos – que Deus deu à Igreja, é que o Ministério
será exercitado, para salvação de todo o povo.
Por isso, se você tem uma congregação e um Pastor no ofício
do Ministério, que se dedica em cumprir este dom, louve a Deus incansavelmente.
Ore pelo seu pastor. Sirva a Deus na igreja [se empenhando por ela] e em sua
vida, pois Deus tem demonstrado que está a abençoar: a você, a toda a
congregação e à sociedade onde a igreja está. Isto é graça pura e amor de Deus
manifesto, pois se há igreja e “o dom”, Deus está declarando que deseja o
perdão de nossos pecados, nosso saudável crescimento e a salvação eterna, e
está a estender isto a todo o povo. Como diz Paulo em 2 Coríntios 5.18-19: “Ora,
tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos
deu o ministério da reconciliação, [pelo qual se anuncia:] que Deus estava em
Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas
transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”, o dom, o Ministério. É
isso que faz o Pastor: prega o evangelho e oferece os sacramentos, “quer seja oportuno
quer não”, servindo conforme o dom que Deus deu à igreja, e que ele está a
desempenhar.
Você tem um pastor? Que bênção!!! Ore a Deus que conceda
muitos “dons” ao seu Pastor, para que “o dom” que Cristo deu ao seu povo floresça,
para a glória do reino de Cristo e a salvação de muitos.
Rev. Cézar C. Kaiser – IELB / Erechim, agosto de 2020.
